Brasília tem déficit de 120 mil casas. E a fila para de crescer

Franci Moraes

O déficit habitacional no Distrito Federal é de 120 mil unidades, revelou o presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), Gilson Paranhos, durante a apresentação do relatório de atividades da pasta à Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa, na manhã desta quinta-feira (11). Durante a reunião, presidida pelo deputado Rodrigo Delmasso (Podemos), Paranhos disse que não serão abertas novas inscrições porque a prioridade é atender quem já está na fila. Ele acrescentou ainda que, do total, cerca de 90 mil inscritos são de baixa renda.

De acordo com Paranhos, o DF arca com cerca de 40 mil novos habitantes por ano, o que gera um déficit constante, uma vez que a média histórica é de 2,5 mil unidades habitacionais entregues anualmente. Ainda assim, o presidente da Codhab informou que a meta da atual gestão é superar essa média e entregar 63 mil novas escrituras – destas, 26 mil já foram entregues.

Mudança cultural – Para que haja uma solução para o problema habitacional no DF, é preciso uma “mudança cultural”, segundo Paranhos. Ele explicou que, nas grandes cidades do mundo, o índice de aproveitamento da área construída gira em torno de 400 habitantes por hectare, sendo que no DF este índice cai para 34 habitantes.

O presidente da Codhab citou que, em 1957, as dimensões dos lotes na W3 eram de 6 metros de largura, isto é, na frente do lote. “Apesar do aumento populacional, hoje as pessoas querem lotes de, no mínimo, 8 metros de largura para fazerem o que quiserem; é preciso urgente uma mudança cultural”, frisou.

Entidades habitacionais – Líderes de entidades habitacionais presentes na reunião puderam dialogar diretamente com Paranhos. A presidente da Associação dos Moradores das Ocupações Históricas e Inquilinos do Guará (Amohiguará), Teresa Ferreira Dias, argumentou que os movimentos por moradia são mais ágeis na construção das unidades que o governo e, por esse motivo, deveriam assumir essa tarefa.

Vários representantes de entidades, como Epaminondas da Silva, líder de movimentos em Ceilândia e Riacho Fundo II, reclamaram da ausência de equipamentos públicos, a exemplo de escolas e postos de saúde, em áreas onde unidades habitacionais foram entregues pelo governo.

Nesse sentido, o deputado Rodrigo Delmasso sugeriu a criação de parcerias, nos moldes das Parcerias Público-Privadas (PPPs), entre as entidades e o governo. Para o distrital, a comunidade cuida daquilo que ajuda a construir, de casas a escolas e parques. Paranhos, por sua vez, argumentou pela autonomia das entidades habitacionais, mas, em sua opinião, para que isso ocorra, “as entidades precisam sair da barra da saia do governo e atuar com maturidade”.

Notibras

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