Moto G4 Plus: o bom e barato não é mais barato

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Tela de 5,5 polegadas de alta definição, promessa de fotos nítidas em qualquer luminosidade, carregamento rápido de bateria e leitor de impressões digitais. Parece um futuro Moto X, mas é o Moto G4 Plus. O aparelho mais completo da quarta geração do Moto G é o primeiro grande avanço da família, trazendo componentes que se confundem com os intermediários premium.

Sob o comando da Lenovo, o antigo smartphone bom e barato da Motorola deixa de existir para focar nos usuários mais exigentes e com mais dinheiro para gastar. Com preço sugerido de 1.499 reais, ele não é barato. Mas será que é bom? Depois de uma semana utilizando o Moto G4 Plus como smartphone principal, conto todos os detalhes nos próximos parágrafos.

Design e tela

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Em vez de continuar apostando na curvatura icônica que melhorava a ergonomia do aparelho, a Lenovo preferiu afinar o Moto G4 Plus. Com 7,9 mm de espessura, tela de 5,5 polegadas e traseira plana, ele está longe de ser um smartphone confortável de segurar. A pegada não é boa quanto a das gerações anteriores, e alcançar os cantos da tela é uma tarefa bastante complicada.

O maior problema está na traseira. A textura, que parece dar uma sensação emborrachada ao toque, na verdade, torna o aparelho escorregadio na mão — uma capinha será útil para não estragá-lo tanto durante as quedas. Além disso, o corpo de plástico sem muito capricho não impressiona, principalmente quando comparamos as opções na mesma faixa de preço, em especial a combinação de metal e vidro do Galaxy A5 (2016) e a carcaça bem trabalhada do Vibe A7010.

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Ao remover a fina tampa traseira, temos acesso à entrada para cartão de memória e dois slots Micro-SIM, ambos com suporte a 4G por software. Na parte frontal, há apenas uma grade de alto-falantes, que funciona tanto para chamadas quanto para conversar em viva-voz ou tocar músicas com volume alto, sem distorções. O rápido e preciso leitor de impressões digitais, que se parece com um botão físico, não é pressionável, mas reconhece quando você posiciona seu dedo sobre o sensor e liga a tela automaticamente.

Houve ao menos três perdas em relação às gerações anteriores: além da boa ergonomia e dos alto-falantes estéreo, o Moto G4 Plus ficou sem a certificação IP67, uma característica bastante incomum na faixa de preço do Moto G3, que protegia o smartphone de quedas acidentais na água. Agora, a Lenovo diz que seu aparelho tem apenas “nanorrevestimento resistente à respingos d’água”.

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O painel LCD de 1920×1080 pixels é bastante parecido com o do Moto X Play. Isso significa que você encontrará saturação equilibrada e boas relações de brilho e contraste, mais que suficientes para utilização ao ar livre. Por padrão, para agradar aos que gostavam das telas AMOLED da Motorola, o display está configurado no modo Intensidade, que exibe cores mais fortes; quem preferir tons mais realistas pode ativar a opção Normal.

Software e multimídia

Apesar do preço de Moto X, o Moto G4 Plus continua sendo apenas um Moto G. O reconhecimento de voz sempre ativo, presente nos aparelhos mais caros da empresa, não existe aqui. Por isso, nativamente, resta somente a opção de sempre ligar o aparelho, desbloqueá-lo e tocar no botão de microfone do Google para dar algum comando de voz.

Mas os outros recursos estão disponíveis. No Moto Ações, são quatro gestos suportados: você pode agitar duas vezes para ativar a lanterna; colocar o smartphone com a tela para baixo para ligar o Não Perturbe; pegar o smartphone para silenciar um toque de chamada; e fazer o movimento de acelerar uma moto para ligar a câmera.

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O Moto Tela, que exibe notificações sem precisar ligar a tela inteira, está completo e personalizável: é possível definir os horários em que a função permanecerá desativada e bloquear determinados aplicativos de exibir notificações. Infelizmente, como não há sensores de presença no Moto G4 Plus, é necessário pegar o aparelho para que as notificações sejam mostradas, o que tira um pouco da praticidade do recurso.

De resto, as boas práticas da Motorola continuam: o aparelho vem com a última versão do Android (6.0.1), tem promessa de atualização para o Android O (!) e não traz aplicativos inúteis pré-instalados ou personalizações de utilidade duvidosa. Todas as funcionalidades do Marshmallow estão disponíveis, incluindo o armazenamento adaptativo, que permite unir a memória interna com um microSD — no entanto, com os 32 GB do Moto G4 Plus, talvez você nem precise depender desse recurso.

A TV digital de alta definição ficou restrita ao modelo padrão, sem leitor de impressões digitais ou câmera de 16 megapixels. Uma curiosidade do Moto G4 Plus é que o rádio FM pode ser ligado mesmo sem os fones de ouvido conectados: ele utiliza as antenas do próprio aparelho para pegar o sinal. A qualidade não fica uma maravilha, mas é uma boa alternativa para quem recebe sinal forte de rádio e não quer lidar com um troço pendurado no aparelho.

E lembre-se de que ainda estamos falando de um Moto G. Fones de ouvido decentes? Esqueça. NFC? Esqueça.

Câmera

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Junto com o leitor de impressões digitais, a câmera de 16 megapixels é um dos diferenciais do Moto G4 Plus em relação ao modelo padrão, 200 reais mais barato. A Lenovo focou bastante no componente, inclusive citando uma análise do DxOMark, que colocava o smartphone intermediário no mesmo nível de câmeras como iPhone 6s Plus, Nexus 6P e Moto X Force. Mas será que a câmera é tão boa assim?

Antes de tudo, é preciso dizer que o Moto G4 Plus realmente tem uma ótima câmera. As fotos possuem cores vivas, sem exageros, e o alcance dinâmico é muito bom para um intermediário, deixando bem visíveis todas as regiões da imagem. Além disso, o algoritmo de pós-processamento é bastante equilibrado: o nível de ruído se mantém controlado, e os detalhes continuam bastante presentes.

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Em relação ao Moto X Play, senti uma rapidez maior no foco em ambientes internos, provavelmente devido ao foco auxiliado por laser, mais eficiente em condições de baixa iluminação. O foco por detecção de fase, que também estava disponível no Moto X Play, é um grande avanço em relação aos modelos mais básicos, que possuem apenas foco por diferença de contraste — o que constantemente causa experiências ruins, como no caso da câmera lenta e imprecisa do Vibe K5.

O aplicativo de câmera também está mais completo para satisfazer aos que gostam de fotografar no modo manual: você pode alterar o ISO, balanço de branco, compensação de exposição, distância de foco e tempo de exposição. Pena que a opção mais lenta é 1/5 segundo, então você não vai conseguir fotos de longa exposição com o aplicativo nativo — e, assim como nas gerações anteriores, ainda não há suporte ao aplicativo Manual Camera, que traz ajustes mais finos e fotos em RAW.

Comparado com topos de linha, o Moto G4 Plus entrega fotos com nível de ruído ligeiramente mais elevado e, nos cenários noturnos, perda de saturação. Mesmo assim, isso não é nenhum problema: ainda que os resultados não sejam tão impressionantes como na propaganda da Lenovo, ele tem uma das melhores câmeras da categoria.

Hardware e bateria

Com processador octa-core Snapdragon 617 e 2 GB de RAM, o Moto G4 Plus entrega ótimo desempenho em todas as ocasiões. No uso diário, é possível abrir e alternar entre aplicativos rapidamente, sem nenhum engasgo. As animações e transições são processadas sem travadinhas pela GPU Adreno 405.

A GPU faz um bom trabalho nos jogos, rodando com boa qualidade gráfica Dead Trigger 2 e Real Racing 3, mantendo boa taxa de frames. É uma grande vantagem em relação ao Vibe A7010, que trouxe uma GPU Mali-T720MP3 incapaz de apresentar desempenho realmente bom em títulos mais pesados, como Asphalt 8.

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E não se engane por números: a CPU do Snapdragon 617 é composta por quatro núcleos Cortex-A53 de 1,5 GHz de alto desempenho e outros Cortex-A53 de 1,2 GHz para economia de energia. Ou seja, na prática, não há diferença relevante em relação ao Snapdragon 615, que traz conjuntos de 1,7 GHz e 1,0 GHz, respectivamente. Na teoria, em aplicativos que fazem uso de um único núcleo, o desempenho deve ser levemente inferior.

Claro que é um hardware padrão na faixa de preço, e é suficiente para a maioria das pessoas. Mas ainda fica a sensação de decepção, mais por conta da ARM e da Qualcomm, de ainda estarmos utilizando chips com núcleos Cortex-A53. Esses núcleos foram apresentados em 2012 e já foram explorados à exaustão no Snapdragon 410. Está na hora de termos algo realmente novo em termos de processadores para smartphones intermediários, não?

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Se não há avanço significativo no desempenho por núcleo, ao menos o Snapdragon 617 é econômico. A bateria de 3.000 mAh do Moto G4 Plus é suficiente para levar o smartphone até o final do dia.

No meu dia de testes, tirei o smartphone da tomada às 9h. Nesse período, ouvi 2h de músicas e podcasts por streaming no 4G e naveguei na internet (entre redes sociais, emails e páginas da web) pela rede móvel por 1h30min. A tela ficou ligada por exatamente 1h48min22s, com brilho no automático. Às 23h05, ainda havia 39% de carga. O resultado não é tão impressionante quanto o do Moto X Play, mas é o suficiente para ficar tranquilo se você esquecer o carregador em casa.

Mesmo se a carga acabar antes do final do dia, o que é bem difícil de acontecer no Moto G4 Plus, a não ser que você jogue o tempo todo, o carregador TurboPower de 15 watts faz um bom trabalho em encher a bateria. Foi possível elevar a bateria de zero a 100% em cerca de 1h30min. Dependendo do nível, dá para subir uns 20 pontos percentuais de carga em 15 minutos, portanto, bateria é uma preocupação que você definitivamente não terá.

Conclusão

O Moto G4 Plus tem uma série de pequenos detalhes que devem ser levados em consideração no momento da compra, mas, no geral, esses problemas não são suficientes para tirar o brilho do aparelho. Embora tenha perdido sua alma de bom e barato, o Moto G ainda é um smartphone bom — e uma excelente opção em sua faixa de preço.

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Nas promoções do varejo, com pagamento à vista, ele tem sido encontrado por preços de 1,2 a 1,3 mil reais. Por esse valor, o Moto G4 Plus compete diretamente com Galaxy A5 (2016), Vibe A7010, Moto X Play e Zenfone 2. Cada concorrente tem suas vantagens, mas a novidade da Lenovo é minha atual opção preferida de compra pelo conjunto da obra.

Você não terá o desempenho multitarefa fora de série do Zenfone 2, a bateria de quase dois dias do Moto X Play, o som potente do Vibe A7010 ou o acabamento sofisticado do Galaxy A5, mas terá um smartphone que é bom em basicamente tudo: ele tem bom desempenho, bom software, boa capacidade de armazenamento, boa duração de bateria e boa qualidade de software. É uma opção mais equilibrada, que não oferece nada espetacular, mas que faz bem tudo o que se propõe a fazer.

O Moto G não é mais um aparelho excepcional em sua faixa de preço, mas continua sendo uma compra certa, daquelas que dificilmente causarão algum arrependimento no futuro. Para os que estão em gerações anteriores do Moto G, a atualização para o Moto G4 Plus é um avanço mais que significativo.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 16 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.1, USB 2.0, rádio FM;
  • Dimensões: 153 x 76,6 x 9,8 mm;
  • GPU: Adreno 405;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 2 GB;
  • Peso: 157 gramas;
  • Plataforma: Android 6.0.1 (Marshmallow);
  • Processador: octa-core Snapdragon 617 de 1,5 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels;

Moto G4 Plus: o bom e barato não é mais barato


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