Psicopatia e distúrbios no córtex pré-frontal podem estar conectados

Os pesquisadores acrescentaram evidências que ligam psicopatia criminal e mudanças no córtex pré-frontal do cérebro.

 

Depois de analisar cérebros de 124 presos nos Estados Unidos, a equipe descobriu que traços psicopáticos, como falta de empatia e comportamento antissocial impulsivo, estavam associados a volumes de matéria cinzenta maiores do que a média no córtex pré-frontal. A descoberta não significa necessariamente que mudanças no córtex pré-frontal podem causar psicopatia ou vice-versa.

 

Esse não é o primeiro estudo a relacionar as mudanças no córtex pré-frontal com a psicopatia e sugere um elo que vale a pena investigar ainda mais, particularmente se puder ajudar os pesquisadores a encontrar maneiras de melhor predizer quem poderia estar em risco de exibir traços psicopáticos. “Indivíduos com psicopatia representam uma quantidade desproporcional de crimes nos Estados Unidos”, disse um dos pesquisadores, Cole Korponay da Universidade de Wisconsin-Madison.

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Embora apenas representem cerca de 1% da população como um todo, os indivíduos com psicopatia compõem entre 15-25% da população prisional e estima-se que sejam responsáveis ​​por quase 460 bilhões de dólares em custos sociais criminais anualmente”. Os psicopatas são geralmente classificados como pessoas com comportamento antissocial, desprovidas de empatia e com traços egoístas. E, ao contrário do que Hollywood poderia dizer, nem todos são gênios.

 

E nem todos os psicopatas se tornam criminosos – alguns são membros da sociedade muito eficazes – mas, visto que muitos sofrem com o autocontrole e a incapacidade de pensar em como suas decisões podem afetar outros, os traços podem muitas vezes levar a comportamentos criminosos. Embora estudos anteriores tivessem vinculado algumas dessas características com o córtex pré-frontal – uma região associada ao planejamento, moderação e tomada de decisões – os pesquisadores não tinham entrado em detalhes antes de olhar para as subestruturas dessa região do cérebro.

Assim, para obter uma melhor compreensão, os pesquisadores realizaram exames de ressonância magnética em 124 presos em uma prisão de segurança média em Wisconsin, nos Estados Unidos. Os internos foram testados também para traços psicopáticos usando o Psychopathy Checklist Revised – um teste de diagnóstico comum de 20 perguntas que é usado para medir a escala de psicopatia. Quando a equipe verificou se esses traços estavam associados a alguma anormalidade no cérebro, descobriu que os detentos que exibiam tendências psicopáticas tinham volume de matéria cinzenta maior do que o normal no córtex pré-frontal.

 

Eles também encontraram uma correlação entre psicopatia e maior conectividade entre duas sub-regiões particulares do córtex pré-frontal – o giro frontal médio esquerdo e o giro frontal inferior direito. Os resultados não foram atribuídos à idade, raça, QI, histórico de uso de substâncias ou volume cerebral”, escreveram os pesquisadores. Coletivamente, esses achados fornecem evidências de aumentos no volume do córtex pré-frontal e conectividade funcional pré-frontal em relação aos traços psicopáticos impulsivos e antissociais”.

 

Por enquanto, a equipe ainda não tem nenhuma evidência sobre como essas mudanças podem acontecer, ou como elas podem aumentar o risco de psicopatia, por isso é muito cedo para dizer se ou não essa informação poderia ser usada para ajudar a tratar e diagnosticar psicopatas.Mas dá aos pesquisadores um bom ponto de partida para procurar por mais pistas. Estudos futuros poderão examinar fatores genéticos e ambientais que podem causar o desenvolvimento anormal do córtex pré-frontal em indivíduos com psicopatia”, disse Korponay.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

Jornal Ciência

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