Russos vão às ruas para mostrar que comunismo está vivo

Foto: Agência Efe/EstadãoConteúdo

Bartô Granja, Edição

Milhares de manifestantes e simpatizantes do comunismo da Rússia e de outros países realizaram nesta terça-feira (7) uma marcha pelo centro de Moscou para comemorar o centenário da Revolução Bolchevique de 1917, a segunda fase da Revolução Russa que acabou com o regime czarista e deu início à formação da União Soviética. A informação é da agência espanhola EFE.

Os participantes da marcha, convocada pelo Partido Comunista da Rússia, se reuniram na Praça Pushkin e iniciaram a caminhada com bandeiras e laços vermelhos, na qual participaram comunistas e membros de organizações de esquerda oriundos de dezenas de países do mundo. O ato termina com um comício na Praça da Revolução, perto do Kremlin e da Praça Vermelha, onde há uma estátua de Karl Marx, principal teórico do socialismo.

O evento organizado pelos comunistas é um dos poucos atos que lembram hoje na capital russa a Revolução Bolchevique, também chamada de Revolução de Outubro (no calendário juliano), a segunda fase da revolução que mudou para sempre a Rússia.

A Revolução Russa teve início com a Revolução de Fevereiro (no calendário juliano), que derrubou o czar Nicolau II e tentou instaurar uma república de cunho liberal, com o apoio de partidos socialistas moderados e alguns países ocidentais. Contudo, este modelo não prosperou e acabou sendo derrubado pela Revolução Bolchevique, que impôs um governo socialista soviético, um acontecimento que mudou o rumo da história contemporânea.

Kremlin à margem – O Kremlin vem se mantendo à margem dessas comemorações e não organizou nada oficial para celebrá-la, para evitar polarizações em uma sociedade bastante dividida e diante do temor de elogiar um fato histórico que representou uma completa mudança de regime.

Pela manhã, cerca de 5 mil militares desfilaram na Praça Vermelha para comemorar a histórica parada militar de 1941 que aconteceu ali em pleno cerco das tropas nazistas que haviam invadido a Rússia, e após a qual muitos soldados soviéticos saíram diretamente para o front.

O desfile é realizado a cada ano e não corresponde à celebração do centenário da Revolução de Outubro, mas trata-se de um ato patriótico sobre a Segunda Guerra Mundial, que na Rússia é conhecida como a Grande Guerra Patriótica, um conflito sobre o qual não há divisões e no qual o papel dos soldados soviéticos é motivo de orgulho nacional.

Com uniformes e armamento da época, os participantes do desfile marcharam hoje diante da tribuna de honra onde se encontravam veteranos daquela histórica parada, que, segundo muitos historiadores, foi crucial para a defesa de Moscou, já que elevou a moral do Exército
Soviético.

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